Joice Leal

12 de novembro de 2025


Racismo no ambiente de trabalho: qual a responsabilidade da empresa?


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O Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais confirmou recentemente a justa causa de uma trabalhadora que chamou uma colega negra de “Medusa”, zombando de seu penteado com dreadlocks.

O caso, além de envolver uma conduta extremamente ofensiva, traz lições valiosas para empresas que desejam proteger sua reputação, prevenir passivos trabalhistas e manter um ambiente de trabalho seguro e saudável.

Mais do que um episódio isolado, a decisão evidencia como comportamentos discriminatórios, mesmo disfarçados de “apelidos”, “brincadeiras” ou “coisas do ambiente”, podem gerar consequências sérias tanto para o empregado agressor quanto para a empresa que não adota políticas robustas de prevenção.

Entenda sobre o caso:

Durante o expediente, uma trabalhadora debochou do cabelo de uma colega negra, chamando-a de “Medusa”, enquanto outras empregadas riam. A vítima chorou, precisou de atendimento e relatou forte abalo emocional.

A empresa apresentou provas sólidas:

  • Existência de treinamentos sobre respeito, assédio e discriminação — dos quais a agressora participou;
  • Adoção da mesma penalidade para todos os envolvidos;
  • Relato técnico que confirmou o estado emocional da vítima.

O Tribunal reconheceu o ato como ofensivo à honra e potencialmente enquadrado como injúria racial, conforme a Lei nº 7.716/1989 (alterada pela Lei nº 14.532/2023). Resultado: justa causa mantida, sem indenização à agressora.

Por que a empresa acertou — e o que isso revela sobre gestão de riscos:

O ponto mais relevante para empresários é: a empresa conseguiu comprovar que possui cultura, políticas e treinamentos voltados ao combate à discriminação.

Isso fez toda a diferença.

Em muitos casos, mesmo quando o empregado pratica um ato grave, a empresa perde a justa causa por falhas como:

  • ausência de políticas internas;
  • falta de treinamentos;
  • inexigibilidade de conduta clara;
  • tratamento desigual entre funcionários
  • ausência de documentação.


Aqui, a empresa demonstrou que age de forma preventiva e coerente, o que fortaleceu a decisão judicial e a sua imagem institucional.

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Lições práticas para empresas que querem se proteger:

Aqui estão medidas essenciais que você pode aplicar na sua empresa para evitar situações como a do caso julgado:

✔ 1. Tenha políticas internas claras

Código de conduta, política antidiscriminação, política de diversidade.

✔ 2. Realize treinamentos periódicos

De preferência com assinatura ou registro de participação.

✔ 3. Crie canais seguros de denúncia

Assédio e discriminação quase nunca são relatados espontaneamente.

✔ 4. Aja rápido e de forma proporcional

Apure, registre e aplique medidas coerentes.

✔ 5. Trate todos de maneira isonômica

Penalidades diferentes para condutas iguais podem anular uma justa causa.

✔ 6. Documente absolutamente tudo

No processo analisado, a documentação foi decisiva.

Em um mercado cada vez mais atento às pautas de diversidade e compliance, prevenir é muito mais econômico do que remediar.

Se sua empresa ainda não possui políticas estruturadas de prevenção a assédio e discriminação, este pode ser o momento ideal para implementar.

Vamos te ajudar a diagnosticar os riscos trabalhistas do seu negócio e estruturar um plano de ação personalizado?

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